Lembra daquela história de "o freguês tem sempre razão"? Agora isso também vale para hospitais e consultórios médicos. O novo código de ética médica valoriza algo que muitas vezes falta em uma ida ao consultório: a conversa. Em entrevista, o Dr. Jorge Carlos Machado Curi, presidente da Associação Paulista de Medicina, esclarece dez principais pontos do novo código. A receita e o atestado médico têm de ser legíveis e devem ter a identificação do médico O paciente precisa dar o consentimento a qualquer procedimento a ser realizado, como exames e medicações. O médico não pode abandonar seu paciente O médico deve evitar procedimentos desnecessários em pacientes nessa situação. Saber os detalhes do laudo é direito do paciente O paciente tem direito a receber a cópia do prontuário médico É obrigatório incluir o número do CRM em anúncios oferecendo serviços. O médico não pode receitar sem ver o paciente. Nem por telefone ou internet. O médico pode se recusar a trabalhar em locais que considere inadequados. O médico é obrigado a denunciar casos de possíveis vítimas de violência doméstica ou qualquer outro tipo de agressão. O médico não pode participar de qualquer tipo de experiências genéticas. http://mdemulher.abril.com.br/saude
1. Chega de letra feia
"Uma vez prescrita alguma declaração pelo médico ela tem que ser legível, para que o paciente compreenda e não tenha nenhum tipo de prejuízo. Uma outra boa alternativa para consultórios maiores são receitas digitadas no computador."2. Antes de receitar, converse
"Esse é um ponto importante pois compõe a base é a relação entre médico e paciente. O paciente deve ter o direito de optar em seu diagnóstico, mas é responsabilidade do especialista explicar o que é mais conveniente para o caso. Muitas vezes o paciente pensa ou lê sobre algum medicamento e quer tomar, mas se depois de uma avaliação o médico achar melhor indicar outro, é essencial que ele mostre o porquê"3. Onde meu médico foi parar?
"As condições de atendimento muitas vezes não favorecem isso. Somos transferidos, então as pessoas mudam de médico com freqüência, sendo que todo mundo tem direito a um acompanhamento médico."4. Caso grave merece conversa franca
"Na verdade, isso já estava colocado antes, mas o novo código deixou mais claro. Em casos terminais, um médico especialista - ou muitas vezes mais de um médico - dão a confirmação de que a doença está em sua fase final. Esse artigo trata do que pode ser feito quando não existem mais cuidados terapêuticos a serem feitos. Não tem sentido gastar quando não há chance de sucesso. Mas tudo deve ser feito com a aprovação do paciente."5. Peça já seu laudo

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"O médico deve ter a documentação registrada do atendimento, mas o paciente pode pedir uma cópia para ele. Em caso de registros feitos em computador, isso fica ainda mais fácil. O médico só deve ter cuidado com o uso excessivo do computador para não perder arquivos." 6. Médicos que são celebridades
"O médico tem que se identificar. Existe um outro código que diz como o médico deve fazer propagandas. Medicina não é comércio. Tem que haver clareza nessa explicação, principalmente no campo da estética, que está sendo muito explorado. Aumentar a auto estima tem que se um coisa positiva, não uma fantasia."7. Receita sem consulta? Não dá!
"Qualquer receita tem que ser acompanhada de prévia consulta. O médico deve deixar bem claro que a receita depende de sua avaliação. Pacientes antigos podem tirar dúvidas do tratamento por telefone, mas nada de receitas."8. Atendimento tem que ter qualidade
"Em caso de emergência, o medico deve atender o paciente, mas tentar transferi-lo para um lugar mais adequado. E lugares como esses devem ser denunciados." 9. Preocupação vai além da saúde
"Isso não vai contra o sigilo médico, pois busca preservar o paciente. É obrigação do médico declarar casos desse tipo para o órgão público competente, como a Delegacia da Mulher ou o Juizado de Menores. Mas nada de sair colocando no jornal."10. Ciência não se mistura com trabalho
"Existem pesquisas no mundo inteiro e nada pode favorecer algum tipo de manipulação genética. Nada de fazer experiência pra ver no que vai dar. Isso claramente se encaixa no campo da pesquisa, não da prática médica."