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Mundo Gospel

Diga para o seu irmão: “Você já nasceu vencedor”

É verdadeira a afirmação de alguns pregadores, de que somos vencedores desde a nossa concepção?

Diga para o seu irmão: “Você já nasceu vencedor”

Muitos pregadores famosos têm preferido os bordões dos livros de autoajuda às verdades das Sagradas Escrituras. Pregam o que leem em obras como Você É Insubstituível, de Augusto Cury, esquecendo-se de que devem pregar somente a Palavra de Deus (2 Tm 4.1-5). Não vai aqui qualquer desdouro ao mencionado psiquiatra e autor de best-sellers, mas o expoente cristão que se preza sabe que boa parte dos pensamentos desse cientista a respeito do Criador e sua obra é extrabíblica e antibíblica.

No aludido livro, Cury assevera:

Você foi surpreendente! (...) Somente alguém com uma força descomunal como a sua poderia vencer uma corrida com milhões de concorrentes pisotenado-o, pressionando-o. (...) Você foi um grande sonhador. Sonhou sem ter capacidade de sonhar. Sonhou, através do seu programa genético, com o espetáculo da vida. O que você pensou na corrida? Nada! Você ainda não pensava. (...) Sem sonhos, a vida não tem brilho. (...) Lembre-se de que, comparando o tamanho do espermatozóide com as montanhas que teve que escalar dentro do útero de sua mãe para fecundar o óvulo, você escalou centenas de montes Everest. Nada podia detê-lo. Quando temos um grande sonho, nenhum obstáculo é grande demais para ser superado (Sextante, pp.32-43).

O que há de errado com o belo palavreado acima? Em primeiro lugar, Cury descreve todo o processo de concepção do homem sob a ótica antropocêntrica, humanista. Ele não enfatiza que o fato de um único espermatozoide, dentre milhões, conseguir fecundar o óvulo se deve ao grande Criador, que dá origem à vida e a preserva desde a sua concepção (Sl 139.16).

É exagerada e descabida a ideia de considerar o espermatozoide que atinge o óvulo um grande vencedor um super-herói, a ponto de comparar a sua jornada com o escalar de centenas de montes Everest! Mas Cury vais mais além e afirma:

Você nadou sem barco de apoio, bússola ou outra tecnologia para fecundar o óvulo. E, além disso, tinha de atingir um ponto minúsculo sem ter o mapa do alvo. Imagine sair a nado da Europa até os EUA e atingir um alvo pequeno como um ovo de páscoa. Sua pontaria foi incrível! Você bateu todos os recordes imagináveis de nado livre (idem, p.46).

Como todo o respeito, essa ilustração do Super Espermatozoide é no mínimo risível. Não há força descomunal nem incrível pontaria algumas em um espermatozoide! É Deus quem comanda todo o processo da concepção. Mas o pior é ter de ouvir pregadores famosos — que ignoram a Ajuda do Alto (Hb 13.5,6) — dizendo: “Dentre milhões de espermatozoides, apenas um atingiu o óvulo da sua mãe. Diga para o seu irmão: ‘Você é vencedor desde o ventre materno’”, como se isso fosse uma grande verdade da Palavra de Deus!

Ao contrário do que assevera Augusto Cury e seus admiradores, surpreendente não é o espermatozoide! Surpreendente é o nosso Criador! Ele, com o seu grande poder, é quem faz o espermatozoide atingir o óvulo! Por isso, o salmista o glorificou: “Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (Sl 139.14).

Finalmente, Cury afirma:

Você nasceu vencedor. (...) Brilhou tanto, que merecia o Oscar, o Nobel... Mas tudo isso era pequeno para premiá-lo. Então entrou em cena um ser especial, o Autor da existência, Deus, do qual ouvimos muito falar e conhecemos tão pouco. Ele observou sua capacidade de lutar. E, por fim, o premiou com o maior de todos os prêmios: O MILAGRE DA VIDA. (...) Se você não existisse, o universo não seria o mesmo (idem, pp.88-107).

A teoria do Super Espermatozoide é, como se vê, antropocêntrica — visa a diminuir o Criador e endeusar o ser humano. Ela ignora que Deus é quem dá origem e controla os processos de concepção e gestação. E ainda afirma que o Todo-poderoso dá um prêmio ao vencedor, depois de ter percebido que ele (o espermatozoide) teve capacidade de lutar...

Mas não são apenas os pregadores que estão enveredando pelo caminho da autoajuda, em detrimento da Ajuda do Alto. Há muitas canções “evangélicas” de sucesso pelas quais se afirma que já nascemos para vencer, que já tínhamos cara de vencedores...

À luz da Palavra de Deus, nascemos pecadores, perdidos, derrotados (Rm 3.23; Sl 51.5). Nascemos, portanto, para perder, e não para vencer! Tornamo-nos vencedores quando atendemos ao chamamento do Senhor Jesus para a salvação (Mt 11.28-30; At 17.30,31), e não quando fomos concebidos. É em Cristo que somos mais que vencedores (Rm 8.37).

Ciro Sanches Zibordi


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